Saneamento, igarapés e saúde pública: vulnerabilidade também é ambiental
A vulnerabilidade social de um território não aparece apenas na renda, na falta de oportunidades ou na dificuldade de acesso a serviços públicos. Ela também está presente no ambiente onde as pessoas vivem. Ruas sem infraestrutura adequada, descarte irregular de lixo, igarapés poluídos, ausência de rede de esgoto e áreas sujeitas a alagamentos impactam diretamente a saúde e a qualidade de vida da população.
Em Manaus, o saneamento básico ainda é um dos grandes desafios urbanos. Dados do Instituto Água e Saneamento apontam que, em 2022, apenas 22,8% do esgoto gerado no município era coletado e tratado. Isso significa que uma parte expressiva do esgoto ainda não passava por tratamento adequado antes de chegar ao meio ambiente.
No Novo Aleixo, zona Norte da capital, o avanço da infraestrutura de esgotamento sanitário tem ocorrido em algumas áreas. No conjunto Amadeu Botelho, por exemplo, o programa Trata Bem Manaus implantou mais de 3,8 mil metros de rede coletora de esgoto, com previsão de beneficiar mais de 2 mil moradores.
A chegada da rede coletora é uma medida importante, mas a transformação ambiental de um bairro também depende de informação, participação comunitária e acompanhamento contínuo. O saneamento não se resume à obra física. Ele envolve mudança de hábitos, descarte correto de resíduos, preservação de igarapés, uso adequado da rede de esgoto e cuidado coletivo com os espaços públicos.
É nesse ponto que institutos sociais podem contribuir de forma significativa. Organizações comunitárias podem desenvolver ações de educação ambiental, mutirões de limpeza, campanhas contra o descarte irregular de lixo, oficinas sobre saúde e saneamento, atividades com crianças e adolescentes e formação de lideranças locais para acompanhar demandas do bairro.
A relação entre saneamento e saúde pública precisa ser tratada com prioridade. Ambientes sem coleta adequada de esgoto e com acúmulo de lixo podem favorecer problemas como mau cheiro, proliferação de insetos, contaminação de áreas de convivência e maior exposição de famílias a doenças relacionadas à falta de infraestrutura urbana.
No caso dos igarapés, a situação exige ainda mais atenção. Esses cursos d’água fazem parte da identidade ambiental de Manaus, mas muitos sofrem com poluição, ocupação desordenada e descarte de resíduos. Proteger os igarapés também é proteger a saúde das comunidades que vivem ao redor deles.
A presença de institutos sociais no Novo Aleixo pode ajudar a aproximar moradores, escolas, lideranças comunitárias, poder público e empresas responsáveis pelos serviços urbanos. Quando a população entende seus direitos e deveres ambientais, ela passa a participar mais ativamente da preservação do bairro e da cobrança por melhorias.
A vulnerabilidade ambiental não pode ser vista como um problema separado da questão social. Famílias que vivem em áreas com menor infraestrutura sofrem mais com os efeitos da falta de saneamento, da poluição e do descarte irregular. Por isso, cuidar do ambiente também é cuidar das pessoas.
No Novo Aleixo, a discussão sobre desenvolvimento social precisa incluir saneamento, igarapés e saúde pública. Obras são necessárias, mas educação ambiental, mobilização comunitária e presença social permanente também fazem parte da solução.